O O2 e a Acidez dos Oceanos

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 Por Lia Coldibelli

No dia 8 de junho, Dia Mundial dos Oceanos, recebi uma aluna norueguesa na escola. Era a primeira vez que Deborah Davis subia em uma prancha, mas ela logo se sentiu a vontade e saímos remando pela baía. Entre um exercício e outro, descobri que Deborah estava em Portugal para uma conferência climática. Fiquei curiosa em estar com uma Doutora em Alterações Climáticas e logo fiz algumas perguntas. 

Existe a teoria, defendida por alguns cientistas, de que as alterações climáticas fazem parte do cliclo da terra mesmo antes do efeito estufa e dos gases liberados por ações humanas. Deborah não discorda, mas diz que o grande problema é que hoje esta mudança é gerada de uma forma bastante expressiva pela ação do ser humano. No momento, o CO2 está genrando um desequilíbrio energético que aumenta o efeito estufa. Mudanças climáticas antigas mostram evidências de que nosso clima é sensível ao gás carbônico.

Desmistificando esta teoria, perguntei a Deborah, dentre todos as pesquisas das quais ela tem acesso, qual a preocupa mais. Foi então que ela chamou a atenção para a acidez dos oceanos.

A acidez das águas do mar aumentou 30% desde o início da era industrial, e alcançou um nível não igualado nos últimos 55 milhões de anos, mas a ciência ainda engatinha no entendimento do que está acontecendo dentro do mar.

A dimensão mais conhecida desse problema é o processo de enfraquecimento da estrutura dos corais. Recifes e corais são as florestas tropicais dos mares. Garantem alimento e proteção a milhares de espécies, inclusive  dos seres humanos. Estes organismos constroem suas conchas e esqueletos com cálcio, a acidez dos oceanos afeta negativamente este processo, a maioria dos organismos estudados até agora tem se desenvolvido mal em um ambiente ácido. 

Deborah diz que a acidificação dos oceanos já aconteceu pelo menos duas vezes. Uma delas foi há 55 milhões de anos, quando uma grande quantidade de metano estocado no fundo do mar se liberou. Ocorreu a extinção massiva de organismos, principalmente os que tinham cálcio na estrutura. A recomposição levou 10 milhões de anos.

Não é ainda possível saber se com isso diminuirá o número de peixes no mar, mas certamente a biodiversidade será afetada. 

Para Deborah é preciso olhar com atenção para a acidificação dos oceanos. "Oceano é vida, foi aqui que tudo começou e pode ser aqui que tudo poderá se acabar.", diz ela. 

Aquilo me assutou e de certa forma me senti impotente. Disse a ela que costumo fazer uma recolha de lixo durante as minhas remadas, mas que agora, isto parece pouco ou quase nada diante deste problema. Deborah me encorajou. "Uma pessoa é pouco, mas se todos se conscientizarem, será suficiente."

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Por isso, nós da SurfnPaddle pedimos a ajuda de todos, vamos nos conscientizar em não jogar lixo, em coletar aquele que já se encontra no mar e nas praias e, principalmente, trabalhar em prol do consumo consciente. Emitimos muitos gazes produzindo milhares de coisas das quais não precisamos. Utilizamos demasiadas embalagens, copos e sacos descartáveis. Há uma pesquisa que rela que 35% do plástico descartado foi usado por apenas 20 minutos. Utilizamos carro em excesso para trajetos simples e não compartilhamos transportes. Parecem pequenas ações, mas como disse a Deborah, se todos fizerem, será possível.

 

 

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