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Surfe e a arte de confiar

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A mágica sensação de dropar a primeira onda.

Já ouviu dizer que "Se não espera o inesperado, não o encontrarás"? Pois há meses que venho esperando pelo dia em que iria me atirar com o paddle em um mar de ondas. 

Semana passada acordei cedo em uma segunda-feira ensolarada. Olhei pela janela e logo veio uma vontade enorme de me encontrar com o mar. Passei a manhã toda com este desejo, sem saber o que me esperava.

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Fim de tarde, maré alta, o mar liso-liso, vesti o fato, aqueci na areia e quando ia entrar na água, Nick, dono da escola em que trabalho, decidiu me fazer companhia. Entramos no mar que parecia calmo e ao olharmos para o lado esquerdo, para além do pontão da Praia da Rata, elas se formavam belas e solitárias. O Nick logo abriu os olhos e disse: "Quer ir para as ondas hoje?" Neste momento senti uma energia muito forte subindo pelo meu corpo, começando por um formigamento nos pés, deixando um leve tremor nas pernas,  frio na barriga, chegando ao coração que parecia saltar do peito, aquecendo toda a face. Era a adrenalina, era o meu corpo se preparando para o que estava por vir.

A Praia da Rata é famosa por ser repletas de rochas no fundo, esta era a minha maior insegurança. Além disso as ondas chegavam a um metro, fazendo o coração acelerar ainda mais. Comecei a usar todas as técnicas de respiração que conheço para acalmar a mente ofegante. Durante todo este meu processo interno, o Nick dava instruções precisas, com muita calma, sempre mostrando pra mim que eu era mais do que capaz de fazer aquilo. E então eu comecei a acreditar. Remei devagar na crista da primeira onda e percebi que até não era assim tão grande, fiquei mais confiante. 

O tempo todo o meu professor/amigo me incentivava nas remadas, como se estivesse a empurrar-me para as ondas. Até que aquele medo todo se transformou em confiança, o medo foi o gatilho para que eu desse tudo de mim. 

Com os olhos fixos no horizonte vi subir a próxima série, sem pensar em mais nada a não ser no momento presente, remei. Remei com toda a força, cerca de 10 remadas fortes e de repente já não era mais a minha energia que deslocava a prancha. Por segundos senti meu coração parar e um silêncio se formou ao meu redor, aqueles primeiros segundos foram uma eternidade. Quando cai em mim estava na onda, espuma para todo lado a única coisa que conseguia fazer era gritar "uhuuuu". Entendi o porquê desta onomatopéia ser tão difundida entre os surfistas, este é o único som possível, é só isso que vem à mente. "UHUUUUUU" e mais nada.

O único problema é que eu tinha pego a primeira de uma série, então logo em seguida já tive que levar com todas elas na cabeça. No paddle não é possível dar bico de pato, ou joelhinho como dizemos no Brasil, a única chance é mergulhar e esperar que a onda não arraste demais a prancha. Foram quatro ou cinco das grandes, nem consegui contar, mas a adrenalina acumulada me deu energia para fazer de tudo para sair dali. Olhava em frente e via o Nick, calmo e confiante, e isso me dava a leveza de saber que estava tudo bem. 

Remei de volta para o outside quase sem fôlego, mas com um sorriso gigante estampado no rosto. O Nick, todo empolgado, veio me cumprimentar, partilhando com um bodyboarder de que aquela havia sido a minha primeira onda. 

Depois disso a vontade só cresceu. Olhos no horizonte, remadas precisas, respira, respira, não deu, calma, rema mais, mais forte, tá quase lá, não desiste, está indo, foi, risos, "uhuuuu", mergulha, respira, mergulha, rema, rema mais, lá vem a série, tá muito grande, tudo bem, sem medo, rema, não pára, respira, não esquece de respirar, está indo, está lindo, give me five! Não havia mais nada além disso, não havia passado, nem futuro, era apenas aquele momento, aquele presente cor de laranja de um fim de tarde. Aquele momento em que você se conecta apenas com que está ali, a sua volta. O mar, o céu, os pássaros e sobretudo consigo. É quando você olha lá dentro e se sente feliz e grato. É quando você não pede, só agradece. É quando você esquece de tirar foto porque tudo está sendo gravado em todos os poros do seu corpo. É o maior treino de mindfulness (atenção plena) da vida. É você, é a prancha, é a onda e nada mais. 

Após duas horas de mar a maré começou a vazar, as rochas estavam mais aparentes, era hora de sair. Eu já estava com a cabeça feita, como se diz. O sol estava a se pôr e a lua, que já estava a pino, tinha mais brilho. O Nick ainda me deu mais instruções, mas eu só conseguia olhar para o horizonte e sorrir, sabendo que certamente esta tinha sido uma das experiências mais loucas da minha vida. Valeu Nick! Valeu Universo! Eu encontrei o inesperado.

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